05 agosto 2014

Resenha: Fahrenheit 451

Fahrenheit 451
Ray Bradbury 
♥♥♥♥♥ favorito
A obra de Bradbury descreve um governo totalitário, num futuro incerto mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre. O livro conta a história de Guy Montag, que no início tem prazer com sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo, ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade.
Um clássico, uma distopia. Poderia definir Fahrenheit 451 com essas palavras, mas esse livro é mais do que isso, ele é poético. Repleto de citações, frases, trechos que te fazem se apaixonar pelo livro a cada página virada, mostrando nossa realidade de uma maneira apaixonante, apesar da sua essência caótica. 
Como toda distopia, o livro faz uma crítica sociedade e possui um governo totalitário. Um mundo onde todas as construções são à prova de fogo, temos bombeiros como Montag que tem apenas uma função: queimar livros. Fahrenheit 451: a temperatura em que os livros queimam.
 Uma denúncia anônima, um único exemplar em sua casa, pode resultar na queima da mesma e tudo que houver dentro. Parece cruel? Contudo, esse não é um mundo onde as pessoas foram subitamente proibidas de ler, elas o fizeram por conta própria. A lei, a regra veio logo depois, então porquê elas se importariam?
— A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas, e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?
Bradbury criou um mundo de ilusões: as pessoas se contentam com suas distrações imediatas, esquecendo das guerras, dos problemas e das suas próprias vidas e famílias. Cercadas por aparelhos eletrônicos, onde transmitem as notícias manipuladas para iludir as pessoas. Montag, assim como todas as pessoas, vivem felizes em suas vidas supérfluas e ilusórias, porém algo mudou. Ele conheceu Clarisse. Louca? Talvez. Ela gosta de observar o mundo, gosta de questionar e como poucas pessoas que vivem por ali, ela não aceita essa realidade. O modo de Clarisse pensar fez com que o próprio Montag começasse a questionar as coisas a sua volta, se seu trabalho era correto, se tinha um propósito. Começou a questionar se era realmente feliz com sua esposa, com sua casa. Nisso, ele decidiu partir em busca de um mundo melhor. 
Beatty é o capitão dos bombeiros. Ao longo do livro vemos que ele tem um curioso conhecimento sobre toda a literatura e parece sempre conhecer as angústias de Montag, porém, ele define a própria maldade; o capitão tenta manipulá-lo a todo custo, tentando mostrá-lo que esse caminho não leva a nada e que não há prazer maior do que queimar livros. 
É importante ressaltar que esse maravilhoso universo criado por Ray Bradbury não mostra apenas pessoas que são proibidas de ler, ou pensar por si próprias. Elas apenas não querem mais; apostaram em uma felicidade imediata, em uma falsa segurança e vivem assim, elas gostam dessa ilusão criada pelo mundo ao seu redor e não querem mudar e nem aceitar os que mudaram - ou apenas aqueles que continuaram os mesmos.
— Deixar você em paz! Tudo bem, mas como eu posso ficar em paz? Não precisamos que nos deixem em paz. Precisamos realmente ser incomodados de vez em quando. Quanto tempo faz que você não é realmente incomodada? Por alguma coisa importante, por alguma coisa real?

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