11 novembro 2013

O Reino do Intelecto

Amo mas não sei quem amo,
o Amor sem o objeto amado não faz sentido
Odeio mas não sei quem odeio,
O Ódio sem o objeto odiado não faz sentido

A paixão me corrói na solidão
O ódio me corrói na multidão
Os dois extremos brigam para se manifestar
Mas o Intelecto é poderoso, jamais foi derrotado.

Houve uma época em que os sentimentos corriam com liberdade
Mas o reino da minha mente foi invadido por bárbaros
Então o Intelecto surgiu, cresceu e lutou
alguns cidadãos atrapalharam a batalha
Esses foram aprisionados

Agora condenados,
às vezes passeiam,
passeiam sob a vigilância do Intelecto
e nunca mais poderão interagir com estrangeiros.

Agora meu reino mental é um local seguro
Muralhas poderosas,
Os de fora não entram e os de dentro não saem
É um reino monótono sem pão nem circo,
mas não poderia ser um reino mais eficaz.


William Barbosa dos Santos

7 comentários:

  1. William, adorei! Aprecio pessoas que tem sensibilidade para escrever algo assim, tão bonito.

    Beijos,

    Marcelle
    www.bestherapy.net

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    1. Obrigado Marcelle, fico contente que tenha gostado :)

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    2. É até irônico tu dizer que tenho sensibilidade para escrever algo assim, quando o poema trata justamente da falta de sensibilidade.

      Digo, faz sentido, mas ainda é irônico, hgahahhaha.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Olha tenho até receio de manifestar tal palavra de baixo escalão para indagar minha percepção quanto a esse texto, mas.. 'caralho'.
    Definitivamente esse entrou para um dos meus textos favoritos, não somente seu, mas se enquadrando ao lado de todos os outros que já li. Realmente amigo você se superou.
    Não se devo te desejar parabéns, ou um sorriso que diga 'compreendo'. De qualquer forma, parabéns.

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    1. Wow. Não esperava que fosse tão bem cotado para alguém assim, me deixa contente que tenha te atingindo tão em cheio.

      Escrevi esse na mesma época do "Mente Controladora" (e é bem fácil notar as semelhanças). Isso foi lá nos meus 17/18 anos, quando eu ainda tinha esse conflito com o fato de me chamarem de frio, de não ter sentimentos e etc, esses dois poemas são frutos de minhas reflexões sobre isso na época. E de fato, escrever me ajudou muito.

      Hoje já não tenho esse conflito. Não porque mudei e agora sou sentimental, e sim porque parei de me importar com o que os outros acham que sinto, e na verdade também parei de me importar com o que eu mesmo acho que sinto. Sentimento não se entende e não se julga.
      Criei uma máxima que procuro seguir: "é sendo leve que a vida se torna vívida".

      Então talvez seja por não ter mais esse conflito, talvez por outro motivo, o fato é que esse poema não é dos meus favoritos. Os últimos poemas que postei (esse incluso) hesitei bastante por não gostar muito deles. Os meus favoritos eu postei aqui no blog no começo, mas acabaram a algum tempo. Porém tu me lembrou agora que a percepção do que é bom ou não é individual, e é muita presunção minha rotular de forma tão universal, ainda que tenha sido eu o criador.

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    2. Com o seu esclarecimento se tornou mais fácil para mim entender porque eu apreciei tanto ele. Já passei por essa fase da frieza, e contrapondo a hipocrisia, ainda hoje tenho lá meus momentos de reflexivos recheados com crises existencialistas, e amei o seu texto porque consegui ver nele tudo isso. Meus pensamentos são todos embaralhados, é como uma sala enorme e cheia com pessoas gritando e outras sussurrando e todas elas querendo atenção e recitando seus muitos argumentos válidos e quando eu consigo ver um escritor, que não esta na minha mente, mas consegue resumir todos esses pensamentos gritantes em algo compreensível, suave e esclarecedor, é aliviante, e ao mesmo tempo encantador.
      Quanto a sua opinião em relação ao texto eu também compreendo. Comecei a escrever com 12 anos, ou até antes se não me falha a memória, e existem muitos textos que ninguém nunca leu, e imagino que nem irão, sou muito reservada quanto a isso, e mesmo os que eu já divulguei aqui no blog, hoje quando me deparo eles passam uma sensação diferente, e tirei uma conclusão disso: 'todo sentimento é imediatista'. Ele pode continuar, mas nunca será o mesmo. E amei sua máxima, é algo a se considerar, sem duvida.

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