31 março 2013

Contos: A Bela e a Fera

Boa tarde, Letters! 

Esse é o quinto e último conto da maratona Contos de Fadas Originais, onde eu falarei sobre o conto A Bela e a Fera.


A Bela e a Fera, originalmente francês e escrito por Gabrielle-Suzanne Barbot, Dama de Villeneuve, em 1740. A versão mais conhecida foi a adaptada por Jeanne-Marie LePrince de Beaumont em 1756. 
Esse é o site onde eu encontrei falando sobre a versão original do conto A Bela e a Fera. [www]

Com várias versões, a história da Bela e a Fera tem origem francesa, segue o conto original:
O pai era um homem rico que tinha três filhas, as duas mais velhas se sustentavam de luxo, lindos vestidos, eram egoístas e invejosas enquanto a mais nova era simples e graciosa, era tão bonita que seu nome era Bela. O pai fica pobre, e precisa fazer uma viagem, perguntando as filhas o que elas queriam que ele trouxesse, as duas mais velhas pedem vestidos caros, Bela só pede uma rosa.
Ao voltar da viagem, o pai das moças encontra uma rosa, e a arranca do jardim, mas é confrontado pelo seu dono, uma besta que é chamada Fera. Como punição, ela quer aprisionar o homem por ter furtado a rosa, e ele diz que era um presente para sua filha, e tem a permissão de se despedir dela, mas terá de voltar para ser punido. Ao chegar em casa, conta a historia para Bela que decide ir no lugar do pai, maravilhosamente.
Bela então se torna prisioneira da Fera, mas ele a trata bem, atende as necessidades da moça e toda noite pede para se casar com ela, mas ela recusa, e começa a gostar da besta. Fera então permite que ela visite o seu pai, mas exige que ela esteja de volta em uma semana, ao invés disso, ele iria comer todos.
Ela fica uma semana, mas sonha com a Besta, percebe que a ama e resolve voltar para a sua moradia, até que o encontra, e o beija, nisso, a Fera vira um belo príncipe, e logo se casam. As irmãs foram amaldiçoadas e transformadas em estatuas até que reconheçam os seus defeitos.
Em muitas versões da historia, a Besta nunca é descrita, sua aparência é deixada para ser imaginada pelo leitor, (um ser peludo com chifres e rosto meigo foi implantado pela Disney), no entanto, em uma versão antiga, a Besta é descrita como uma serpente grande, nesta versão, ele explica por que foi amaldiçoado e transformado em uma cobra por uma bruxa, conta a Bela que ‘’seduziu um órfão’’, e a pedofilia foi perdoada pela Bela.
O simbolismo está espalhado por todo o conto, a Besta e sua eventual transformação representam medo e confusão sexual evoluindo para a maturidade. A rosa dada pelo pai à Bela é um símbolo de virgindade, e da aceitação do pai ao crescimento e amadurecimento da Bela, que já estava ficando adulta. O símbolo da serpente significa o desejo sexual, luxúria vivendo no paraíso.

Moral da história original: Do ponto de vista de uma criança, o sexo pode ser assustador ou bestial, mas para um adulto, é uma coisa maravilhosa.
Clique em "Leia Mais" para conhecer a versão dos Irmãos Grimm:




Há muitos anos, em uma terra distante, viviam um mercador e suas
três filhas . A mais jovem era a mais linda e carinhosa, por isso
era chamada de "BELA".
Um dia, o pai teve de viajar para longe a negócios. Reuniu as
suas filhas e disse:
— Não ficarei fora por muito tempo. Quando voltar trarei
presentes. O que vocês querem? - As irmãs de Bela pediram
presentes caros, enquanto ela permanecia quieta.
O pai se voltou para ela, dizendo :
— E você, Bela, o que quer ganhar?
— Quero uma rosa, querido pai, porque neste país elas não
crescem, respondeu Bela, abraçando-o forte.
O homem partiu, conclui os seus negócios, pôs-se na estrada para
a volta. Tanta era a vontade de abraçar as filhas, que viajou por
muito tempo sem descansar. Estava muito cansado e faminto, quando,
a pouca distância de casa, foi surpreendido, em uma mata, por
furiosa tempestade, que lhe fez perder o caminho.
Desesperado, começou a vagar em busca de uma pousada, quando, de
repente, descobriu ao longe uma luz fraca. Com as forças que lhe
restavam dirigiu-se para aquela última esperança.
Chegou a um magnífico palácio, o qual tinha o portão aberto e
acolhedor. Bateu várias vezes, mas sem resposta. Então, decidiu
entrar para esquentar-se e esperar os donos da casa. Ointerior,
realmente, era suntuoso, ricamente iluminado e mobiliado de
maneira esquisita.
O velho mercador ficou defronte da lareira para enxugar-se e
percebeu que havia uma mesa para uma pessoa, com comida quente e
vinho delicioso.
Extenuado, sentou-se e começou a devorar tudo. Atraído depois
pela luz que saía de um quarto vizinho, foi para lá, encontrou uma
grande sala com uma cama acolhedora, onde o homem se esticou,
adormecendo logo. De manhã, acordando, encontrou vestimentas
limpas e uma refeição muito farta. Repousado e satisfeito, o pai
de Bela saiu do palácio, perguntando-se espantado por que não
havia encontrado nenhuma pessoa. Perto do portão viu uma roseira
com lindíssimas rosas e se lembrou da promessa feita a Bela. Parou
e colheu a mais perfumada flor. Ouviu, então, atrás de si um
rugido pavoroso e, voltando-se, viu um ser monstruoso que disse:
— É assim que pagas a minha hospitalidade, roubando as
minhas rosas? Para castigar-te, sou obrigado a matar-te!
O mercador jogou-se de joelhos, suplicando-lhe para ao menos
deixá-lo ir abraçar pela última vez as filhas. A fera lhe propôs,
então, uma troca: dentro de uma semana devia voltar ou ele ou uma
de suas filhas em seu lugar.
Apavorado e infeliz, o homem retornou para casa, jogando-se aos
pés das filhas e perguntando-lhes o que devia fazer. Bela
aproximou-se dele e lhe disse:
— Foi por minha causa que incorreste na ira do monstro. É
justo que eu vá...
De nada valeram os protestos do pai, Bela estava decidida.
Passados os sete dias, partiu para o misterioso destino.
Chegada à morada do monstro, encontrou tudo como lhe havia
descrito o pai e também não conseguiu encontrar alma viva.
Pôs-se então a visitar o palácio e, qual não foi a sua surpresa,
quando, chegando a uma extraordinária porta, leu ali a inscrição
com caracteres dourados: "Apartamento de Bela".
Entrou e se encontrou em uma grande ala do palácio, luminosa e
esplêndida. Das janelas tinha uma encantadora vista do jardim.
Na hora do almoço, sentiu bater e se aproximou temerosa da porta.
Abriu-a com cautela e se encontrou ante de Fera. Amedrontada,
retornou e fugiu através da salas. Alcançada a última, percebeu
que fora seguida pelo monstro. Sentiu-se perdida e já ia implorar
piedade ao terrível ser, quando este, com um grunhido gentil e
suplicante lhe disse:
— Sei que tenho um aspecto horrível e me desculpo ; mas não
sou mau e espero que a minha companhia, um dia, possa ser-te
agradável. Para o momento, queria pedir-te, se podes, honrar-me
com tua presença no jantar.
Ainda apavorada, mas um pouco menos temerosa, bela consentiu e ao
fim da tarde compreendeu que a fera não era assim malvada.
Passaram juntos muitas semanas e Bela cada dia se sentia
afeiçoada àquele estranho ser, que sabia revelar-se muito gentil,
culto e educado.
Uma tarde , a Fera levou Bela à parte e, timidamente, lhe disse:
— Desde quando estás aqui a minha vida mudou. Descobri que
me apaixonei por ti. Bela, queres casar-te comigo?
A moça, pega de surpresa, não soube o que responder e, para
ganhar tempo, disse:
— Para tomar uma decisão tão importante, quero pedir
conselhos a meu pai que não vejo há muito tempo!
A Fera pensou um pouco, mas tanto era o amor que tinha por ela
que, ao final, a deixou ir, fazendo-se prometer que após sete dias
voltaria.
Quando o pai viu Bela voltar, não acreditou nos próprios olhos,
pois a imaginava já devorada pelo monstro. Pulou-lhe ao pescoço e
a cobriu de beijos. Depois começaram a contar-se tudo que
acontecera e os dias passaram tão velozes que Bela não percebeu
que já haviam transcorridos bem mais de sete.
Uma noite, em sonhos, pensou ver a Fera morta perto da roseira.
Lembrou-se da promessa e correu desesperadamente ao palácio.
Perto da roseira encontrou a Fera que morria.
Então, Bela a abraçou forte, dizendo:
— Oh! Eu te suplico: não morras! Acreditava ter por ti só
uma grande estima, mas como sofro, percebo que te amo.
Com aquelas palavras a Fera abriu os olhos e soltou um sorriso
radioso e diante de grande espanto de Bela começou a
transformar-se em um esplêndido jovem, o qual a olhou comovido e
disse:
— Um malvado encantamento me havia preso naquele corpo
monstruoso. Somente fazendo uma moça apaixonar-se podia vencê-lo e
tu és a escolhida. Queres casar-te comigo agora?
Bela não fez repetir o pedido e a partir de então viveram felizes
e apaixonados.
Então é isso e aqui acaba a marota dos Contos de Fadas, em breve voltaremos com alguma novidade. :)
Obrigada e até mais!
xoxo

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